Uma moça de cabelo curtinho me convidou para um drink.
Além do cabelo e dos brincos pontudos, grossos e retorcidos que atravessam seu lóbulo, outro detalhe se destaca: o sorriso que acompanha o convite, tornando-o irrecusável.
Chego ao balcão ansioso, sem saber o que pedir ao barman, que limpando um copo com seu pano de prato, logo cobra:
- Só vendo drinks amigo, e não me venha pedir nada cor-de-rosa. Têm de todas as cores, tamanhos, perfumes e teores alcoólicos. Opção é que não falta.
Peço o cardápio. Como uma carta de “I love you” de uma tiete para seu boybander predileto, um gigantesco pergaminho se desenrola até o chão. Drinks, milhares de drinks, de todos os tipos e sabores.
Alcanço um copo vazio, com a certeza de que nele muita coisa será virada, com sal, limão e careta depois do shot.
Um copo até boca de ar e expectativas. Perfeito. O suficiente para erguê-lo e responder o sorridente convite, com um brinde.