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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Química

Beleza é relativa. Repertório é irrelevante. Charme é importante, mas não é tudo. Inteligência e humor contam muitos pontos, mas não são fatores de corte. A única coisa realmente imprescindível em um relacionamento é o que menos dá pra explicar: química. Afinal, nada explica ter vontade de lamber aquela pessoa que você odiaria que vissem em público ou simplesmente não bater nada com alguém lindo, inteligente e bom de cama.

Levanto esse assunto por algo que me aconteceu recentemente. Elevador lotado nesse quase-verão paulistano. Cenário ideal para um momento desagradável. Entram mais pessoas e eu, já grudada na parede, encosto sem querer num braço. Sinto uma faísca, um calor invade meu corpo inteiro. A pele se arrepia e ocorrem outras reações que, bem, melhor não comentar a respeito. Nunca o havia visto, e se não houvesse o contato, nunca teria reparado. Única explicação possível? Química.

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Façam um bem para vocês mesmos (as) e vejam "500 Dias com Ela" o quanto antes.

Beijos

domingo, 4 de outubro de 2009

Conversa Furtada

Um bar qualquer em São Paulo. Eu esperava sozinha em uma mesa quando não pude deixar de notar o surrealismo da conversa ao lado. Segue abaixo:

Homem 1 - Cara, estou mal.
Homem 2 - O que foi?
H1 - Sabe a Gabi?
H2 - Sei. Baita gostosa.
H1 - Promete que não vai rir?
H2 - Não.
H1 - Comi ela. E isso tá me matando.
H2 - Cê tá brincando?! C-c-como assim? Ela é maravilhosa, o que foi? Ela não trepa bem?
H1 - Bem até demais.
H2 - Então o que aconteceu?
H1 - Ah, claro que foi o melhor sexo da minha vida. Mas quando acordei e vi ela ali na cama, nua e linda como sempre, me deu uma vontade de chorar. Tive que me segurar até. Imagina o que ela não ia pensar de mim?
H2 - Mas, por quê? Isso ainda não faz sentido.
H1 - Eu olhei e pensei: e agora? Atingir o ápice da minha vida, nada vai ser tão bom quanto isso. NADA. Pensei na mais pura mediocridade que será minha vida a partir de agora. É muito triste.
H2 - (silêncio, um gole de cerveja).
H1 - (silêncio, um gole ainda maior de cerveja).

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ela

"Sei que foi quase atroz enquanto durou e ainda mais durante as noites de vigília que se seguiram. Isso não significa que relatá-lo possa comover um terceiro."

Segundo o Aurélio, saudade, essa maldita palavra que só existe no português, significa uma "lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las.". Portanto, o que eu sentia não era exatamente saudade, era só o desejo de tornar a vê-la. Sem a nostalgia, sem a suavidade. Um sentimento ríspido, possessivo, pouco carinhoso. Essa uma saudade não-nostálgica, mais desesperada, precisa de um novo nome. Mas não é comigo, deixo essa tarefa para o pessoal da linguística ou seja lá qual é a atividade de quem batiza as palavras.

Fazia tempo que ela não aparecia. Muito tempo. Ela, esteve comigo desde a adolescência, resolveu não aparecer. Nem avisou, simplesmente me ignorou e não me deu as caras. Ela, que sempre apareceu como sinônimo de tranquilidade, paz de espírito, liberdade e falta de preocupação. Ela, que some e por causa disso não me deixa dormir, me concentrar, me enche de dúvidas e acaba com minha paz de espírito.

Todo o sentimento do primeiro parágrafo apareceu de uma maneira mais suja e intensa do que eu esperava e que eu acreditava que fosse possível. Assim, tive meu coração completamente transtornado, assim como minha alma e meu corpo. Essas palavras canalhas não conseguem descrever a intensidade do que vivi. Do que sofri e espero nunca mais viver.

Nunca a desejei tanto. Nunca a amei tanto. Os minutos, horas e dias não passavam. As noites foram longas, lentas, tensas e solitárias.

Nesse mês ela não veio.

Nesse mês ela atrasou.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Top 5

Nunca escrevi mais que algumas linhas na minha vida. Linhas foram escritas por motivos puramente acadêmicos. Me convidam para escrever num blog cujo assunto é MULHER (em maiúsculas mesmo, girl power!). Fiquei com medo de cair egotrip autobiográfica, me depararei um enorme dilema: o que escrever?

Após anos de reflexão (mentira), decidi escrever sobre cultura. Pelo menos por ora, enquanto não me acostumo com os estranhos que vão me ler. Quando eles ficarem familiares, talvez eu me jogue na egotrip.

Nesse post, em homenagem a um de meus livros prediletos, farei um Top 5 de minhas cantoras prediletas. Afinal, um bom Drink merece estar acompanhado de uma boa música.

Nico

Christa Päffgen foi modelo, atriz e cantora. Só que ela realmente sabia cantar e atuar, fazendo parte de uma época em que a designação "modelo, atriz e cantora" era sincera. Apareceu em todas as grandes revistas de modas européias. Atuou em "La Dolce Vita", do Fellini. Foi uma das musas de Andy Warhol, sendo também sua amiga íntima e atriz em muitos de seus filmes experimentais. Teve uma morte trágica. De férias em Ibiza, andava de bicicleta com seu filho sofreu um ataque cardíaco e, ao cair da bicicleta, sofreu uma hemorragia cerebral. Tudo isso, na verdade, não faz diferença. Sua grande contribuição para a humanidade foi a música. Participou do primeiro disco do Velvet Underground, que julgo não precisar escrever nada acerca. Mas o seu grande momento foi o seu primeiro disco solo, "Chelsea Girl". Uma mistura sensacional de folk com uma pegada de chanson française. Feito quase como uma trilha sonora do filme "Chelsea Girls" de Andy Warhol, em que Nico também atua, é calmo, pacífico, cheio de baladas e ótimo para se ouvir em um frio dia chuvoso. Destaque para a linda faixa de abertura, "Fairest of the Seasons" e para a faixa título.

Aretha Franklin

Isso diz tudo.

Debbie Harry

Vocalista, principal compositora, ícone da banda. Debbie Harry também é conhecida, errôneamente, pelo nome da banda que a trouxe para a fama: Blondie. O rosto mais bonito da cena punk nova-iorquina do final dos anos 70 também tinha atitude, além de conteúdo. Suas músicas viraram hinos de sua geração (e de gerações futuras), trilha sonora de ótimos filmes (exemplos? Trainspotting e Scarface), acabaram interpretadas por diversos artistas, foram pioneiras musicalmente e, ainda por cima, apareceram em comerciais. Como se tudo isso não fosse suficiente ainda atuou, em filmes tanto trash quanto cult. Se eu fosse homem, ela seria minha musa.

Tammi Terrell

É simplesmente a mulher que fez Marvin Gaye gravar seu melhor e mais sobrio disco, além de ficar longe dos palcos por quatro anos. A curta carreira da linda Tammi Terrell é maravilhosa. Fez parte da Motown, apesar de não ter grande sucesso em sua carreira solo. Foi na parceria com Marvin Gaye (na música e, digamos, de uma maneira mais íntima) que atingiu o máximo tanto musicalmente quanto comercialmente. Afinal, quem não conhece "Ain't No Mountain High Enough"? Porém, essa é apenas a ponta do iceberg, foram três sensacionais discos, além de uma grande quantidade de singles. Durante um show, desmaiou nos braços de Marvin Gaye. Foi diagnosticado um tumor no cérebro, que levou à sua prematura morte, aos 24 anos.

Dusty Springfield

A primeira vez que eu ouvi essa cantora, achei que se tratava de uma americana negra do, sei lá, Alabama. A pegada country e o peso que há na voz de Dusty atrapalharam o julgamento dessa que vos escreve. Qual não foi a minha surpresa ao descobri que ela não apenas era inglesa, como branca e loira. E falecida, que Deus a tenha. A Wikipedia diz que ela é uma cantora Pop. Eu digo que a Wikipedia mente, sua carreira é muito mais versátil do que isso. As suas versões de standards (desde o próprio pop, até rock e jazz) é ímpar, com a interprete vivendo o sofrimento descrito nas letras das músicas. E, porra, ela cantantando "Son of a Preacher Man" na trilha sonora do Pulp Fiction diz muito mais do que eu disse no parágrafo acima.

domingo, 30 de agosto de 2009

Drink entrevista Cláudia

Idade, onde mora e o que faz?

Vinte e duas primaveras. Curso arquitetura e sobrevivo em São Paulo

Não dá pra não perguntar... Qual seu signo?

Gêmeos com ascendente em peixes. O capeta.

Qual seu drink preferido?

Mojito.

Entrada, prato principal ou sobremesa?

Tudo o que eu tenho direito, sempre!

O que você faz no seu quarto?

Depende. Sozinha, eu durmo. Acompanhada, eu vivo.

Profissão ideal?

Fotógrafa.

Se você fosse um personagem (filme/livro/tv, etc...), qual seria?

A Valentina, do Crepax.

Qual música você mais gosta de dançar na balada?

Qualquer uma do New Order.

Qual foi a coisa mais absurda que aconteceu quando você extrapolou nos drinks?

Não lembro, não aconteceu.

O que você faz e acha ridículo?

Tenho mais ciúmes do que deveria.

Qual o nome do seu alter-ego?

Marcelo.

Em que cidade do mundo você gostaria/pretende morar?

Montevideo, Buenos Aires ou Bogotá.

Quais são as primeiras coisas que você olha num pretendente?

O olhar.

Quem foi você na encarnação anterior?

Iemanjá.

E quem será que você vai ser na próxima?

Um espírito livre, independente do que eu for.