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domingo, 11 de outubro de 2009

NeoVirgindade

E andava pela rua sem freios, pensando o que estava fazendo ali.
As luzes estavam apagadas e já era difícil enxergar, e ainda por cima a lente de contato sumira dos olhos, embaçando o resquício de consiciência sobre os atos que já teve um dia.
Ontem mesmo. Ontem mesmo sabia o que fazia. Decidira encontrá-lo numa busca interior, aceitando o que a vida traz, porque, segundo Rosa(guimarães), a dor nunca é maior do que a surpresa.





E foi.
No caminho, entrou para dentro de seu interior profundo e inconsciente.
Assim mesmo, de maneira pleonástica e prolixa.
E errou: a verborragia é o oposto da ideia.
A mente é o oposto do amor.
(Já aí se incomodou.)


Seu corpo, paralelamente, agia.
Sentiu nas profundidades femininas um muco em movimento (não podia parar de andar pois já se atrasava), revestindo pouco a pouco as paredes sagradas da natureza.
Do âmago físico de onde surge a vida, surgiam finas películas de nova proteção.

Sentiu seu coração protegido. (Sentiu?)
Sentiu que podia tudo com aquele que estaria indo encontrar.
E nesse tudo, estavam as coisas simples.

Mas os sentimentos são programados no cérebro, e, de repente, lembrou disso.
A cabeça é cálculo, pensou. Isso tudo são cálculos.

O coração mesmo estava era hibernando, e em seu longíquo sono, sonhou que poderia entregar-se a este novo, e, ah, foi um sonho belo.

E o corpo completou sua tarefa renovadora.